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Carimba JC: Chuva de Helicópteros

CARIMBA JC por Helter Skelter

Aviso: Não leia esse texto se você for sensível, religioso, humanístico, tiver problemas do coração, renal, ou perdido algum parente em um acidente trágico ou doença grave.

Vamos falar de Humor Negro.

Depois da água, começa a chover Helicópteros em São Paulo.

Helicóptero da Globo que 'filmou' tudo
Helicóptero da Globo, que “filmou” tudo.

Essa semana um helicóptero da rede Record caiu matando o piloto e ferindo o cinegrafista. Mais do que nunca o diabo correu no seu livrinho pra reunir algumas piadinhas de helicóptero pra soltar na internet. Foi no Google e digitou Ulisses Guimarães. Achou várias.

Curiosamente, o cinegrafista, que sobreviveu (até agora) se chama Alexandre Borracha, o que explica tudo, borracha não quebra.

Outro fato notável, um outro helicóptero, da Rede Globo registrou tudo. O que aconteceu? Se a Globo representa o diabo, porque Deus não mandou derrubar o Globocop? Será que o piloto atrasou o dizimo? Será que Deus estava se vingando de A Fazenda? Ou será que em algum hangar, na mesma hora estava um pastor se perguntando “onde está o helicóptero com encosto que eu ia exorcizar hoje?”

A Rede Record dedicou boa parte da sua programação ao acidente, como diz o rifão “Há males que vêm para bem”. O Helicóptero cai e a audiência sobe.

Se você reparar bem no filme, registrado pelas câmeras da Globo, vai ouvir no fundo a voz no rádio dizendo: “Enemy down! repeating, enemy down!”

Sacanagem. O Helicóptero da Globo logo pousou para ajudar no resgate dos sobreviventes da aeronave da concorrência. Se tivesse caído o da Globo será que o pessoal da Record pousava também? Pessoalmente acho que sim. Em cima!

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Mais bobagens pinçadas do Twitter:

@humor_dumal: São Paulo é foda , quando para de chover água, começa a chover helicópteros.
@romeusemjulieta: Na guerra pela audiência a Globo abateu um helicóptero da Record
@Paulaovv: trecho de comunicação do Globocop pouco depois da queda do helicóptero da Record: “Missão cumprida”
@sociedadejm: Sem o Águia Dourada, a Record não terá nada no céu. Apesar do Edir Macedo pensar diferente..
@fdichaves: A Globo começa o dia com um helicóptero de vantagem em cima da concorrente Record…
@rslonik: Deus não quer dinheiro da Igreja sendo usado para comprar Helicóptero pra filmar o trânsito.
@humor_dumal: A Record ta querendo contratar um piloto e um câmera, alguém afim?

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Piada da semana:

Horácio ia sempre ao mesmo bar. Ficava horas e horas bebendo com os amigos. Um belo dia Horácio perdeu a hora. Depois de assistir o jogo com o pessoal do trabalho ficou lá bebendo sozinho, até altas horas. Seu Zé, dono do bar estava vendo a hora de fechar o estabelecimento e foi lá cutucar Horácio.
- Seu Horácio, já vamos fechar!
Horácio no auge da sua raiva alcoólica, seu time havia perdido, se recusou a sair. Gritou, xingou, berrou. Até que decidiu ir embora. “Nunca mais volto aqui!” – disse Horácio, se apoiando na mesa para se levantar.
Seu Zé vendo que o cliente tinha dificuldades tentou ajudar, mas foi agredido verbalmente.
- Sai daqui seu merda, não preciso da sua ajuda.
Horácio se levantou. Mas não conseguiu se manter, caindo de cara no chão. Preocupado, Seu Zé tentou ajudar, mas foi novamente rechaçado pelo freguês.
- Não preciso de sua ajuda, vou pra casa sozinho!
Horácio então decidiu ir pra casa se arrastando, saiu do bar, passou 4 quarteirões entrou em casa, se arrastou pelas escadas, entrou no quarto, subiu na cama e finalmente dormiu.
No dia seguinte a mulher de Horácio abriu as cortinas. A luz entrou como facas nos olhos ressaqueados do pobre Horácio.
- Bonito hein?
- Que isso, mulher?
- Bebendo até tarde de novo, né Horácio?
- Que beber o que mulher, eu nem bebi ontem!
- Bebeu não é? Seu Zé ligou, você deixou a cadeira de rodas lá de novo!

Por Helter Skelter

“CARIMBA JC” por Helter Skelter

CARIMBA JC por Helter Skelter

Aviso: Não leia esse texto se você for sensível, religioso, humanístico, tiver problemas do coração, renal, ou perdido algum parente em um acidente trágico ou doença grave.

Vamos falar de Humor Negro.

“Carimba JC! Carimba que o pecado foi legal!” É assim, que meus amigos reagem quando alguém solta uma piada vil, detestável, cruel, macabra, mórbida e vulgar de humor negro. Plagiando o bordão da dupla esportiva Sílvio Luiz/Godoy, a gente imagina o Todo Poderoso com sua caderneta na mão carimbando mais um selo no cartão-fidelidade do inferno.

Humor negro é uma forma peculiar de sátira. Aprendido desde a mais tenra infância com pérolas da sabedoria como “O que eu vou ser quando crescer? Nada, você tem câncer” e “Me dá uma bicicleta? / Pra que, você já tem cadeira de rodas” evolui mais tarde para métodos mais e mais desagradáveis de rir da desgraça alheia.

Aliás, esta é a síntese do humor negro, rir da desgraça do próximo. O drama tem dois lados, a tragédia e a comédia. Quando juntamos os dois, temos uma forma arrebatadora e cruel de sarcasmo. Sarcasmo significa “humor dos cães”, o que ajuda a entender a coisa.

Há quem diga que o humor negro é catártico, que nos alivia o peso do medo de alguma tragédia que pode acontecer a qualquer um de nós, simplesmente rindo dela. Rir é o melhor remédio e a melhor prevenção. Eu tenho que concordar.

No Brasil o humor negro ainda era tratado como objeto de tabu até meados da década de 90. Não se conhece nenhuma boa piada de Bateau Mouche ou de Edifício Joelma, por exemplo. Dos anos 70/80 eu só me lembro de um grande nome do humor negro, o cartunista Henfil, que com seu Fradim escreveu em 69: “O Pelé pode fazer nesse domingo o milésimo gol, já pensou se ele sofre um acidente e perde as duas pernas?” Com o protesto dos leitores ele respondeu: “Tá, bom, tá bom, só uma perna então!”

Quando tudo mudou?

Com um acidente de carro. Dener de Souza, jogador do Vasco da Gama e promessa do futebol, morreu em abril de 94. A notícia logo se espalhou e do nada, começaram a surgir piadas nefastas sobre o acidente que ganharam as ruas e libertaram o humor negro do seu confinamento moral.

Como se não fosse o bastante, um mês depois morreu em um acidente terrível o piloto Ayrton Senna. Não estamos mais falando de promessas do esporte e sim um herói nacional. Foi aí que o humor negro abriu-se para o mundo. “Você chorou quando o Senna morreu?/ O Damon Hill!”; “O que é uma conversa do Senna com o Piquet? Um papo sem pé nem cabeça”.

Porém, o pior estava por vir. Em 96, a coisa perdeu a estribeira, quando o avião PT-LSD cai na Cantareira e leva com ele a banda de rock mais famosa no Brasil na época, “Os Mamonas Assassinas”. Em questão de dias, fotos dos corpos e piadas detestáveis corriam a web, bares e escolas. “Porque o avião não virou pra direita? / Porque a sigla era PT”; “O que você achou dos Mamonas? / Eu achei um braço”.

O negócio era tão forte que permitia até alguns combos como: “O Senna e o Dener, quando viram os Mamonas chegando disseram: a gente já não aguentava mais o piano do Tom Jobim”.

Perceba que o fenômeno começa entre 94 e 96, não por coincidência, época em que a internet começa a se firmar no Brasil, um meio de comunicação onde você não precisa colocar seu rosto, seu nome, as mensagens são instantâneas e multiplicáveis. Em outras palavras, território livre e fértil para a proliferação do humor negro.

A partir daí, vira praticamente um ritual. Acontece alguma tragédia, um famoso morre, lá vêm as habituais piadas de mau-gosto no cortejo fúnebre. Como moscas e urubus. Hoje é cada vez mais curta a distância entre uma tragédia e a primeira piada sobre ela.

Aproveitando sadicamente esta vertente do humor começa aqui o “Carimba JC”, uma coluna só de humor negro, pra quem sabe rir da desgraça alheia. Deus que perdoe nossas ofensas assim como perdoaremos quem nos ofender nos comentários.

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